Apesar de adiamento de desfiles na Sapucaí, blocos e escolas aderem a ampla agenda de eventos fechados no carnaval

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RIO — No feriado de carnaval, o silêncio deve imperar só mesmo na Sapucaí e (espera-se) nas avenidas que são palcos dos desfiles de blocos. Porque, nos principais espaços de eventos fechados da cidade, a folia vai ecoar alto e em ritmos diversos: do samba e da marchinha ao sertanejo, ao piseiro e às batidas eletrônicas. Por enquanto, sem novas restrições a essas festas — e apesar da explosão de casos da variante Ômicron do coronavírus —, não são só mantidas as programações planejadas antes de a prefeitura do Rio decidir adiar o espetáculo do Sambódromo e, por ora, cancelar os cortejos de rua. Há também novas agendas, inclusive das escolas de samba e dos blocos. É promessa de não deixar a data passar em branco, o que, no entanto, gera preocupação de especialistas em Saúde.

Uma busca em três das principais plataformas de venda de ingressos mostra que, de 25 de fevereiro a 1º de março, e no fim de semana pós-carnaval, o catálogo de opções é amplo. Entre os blocos que farão eventos indoor, o Chora Me Liga, por exemplo, vai ao Hipódromo da Gávea. Neste fim de semana, cortejos que compõem a Liga Zé Pereira decidem se terão uma programação coletiva, com a sede do Cordão da Bola Preta como QG. Vários blocos também são atrações do Festival Auê, no Armazém da Utopia, na Zona Portuária.

Num line-up para seis dias de evento, Minha Luz É de Led e Amigos da Onça são alguns dos que se apresentam ao lado de artistas de peso, como Alceu Valença e Duda Beat, além de DJs de festas da noite carioca. Uma das organizadoras do Auê, Juliana Schultz, garante que todos os protocolos sanitários serão cumpridos.

— Antes, fazíamos o festival num espaço menor. Desta vez, acontecerá numa área de cinco mil metros quadrados e capacidade para dez mil pessoas. Mas vamos manter um público entre 5 mil e 6 mil pessoas. Vamos, claro, cobrar o passaporte da vacina. E, nesta segunda-feira, iniciaremos uma campanha para que aqueles que nos enviarem o comprovante da terceira dose recebam um código para comprar o ingresso com desconto — diz Juliana.

Festa eletrônica

O Reinado de Momo tampouco deixará de ter o paticumbum das baterias das escolas de samba. Algumas planejam eventos nas quadras durante o feriado, embora elas só desfilem na Sapucaí em abril. A Viradouro é uma delas: fará um grito de carnaval em 26 de fevereiro, fechado aos componentes das alas de comunidade. Já a Mangueira promete um viradão nos cinco dias de folia.

Nas paradas de sucesso. O Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca, palco do Carnaval das Artes, que receberá durante dois dias atrações como Barões da Pisadinha, Luan Santana e Wesley Safadão
Nas paradas de sucesso. O Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca, palco do Carnaval das Artes, que receberá durante dois dias atrações como Barões da Pisadinha, Luan Santana e Wesley Safadão Foto: Domingos Peixoto/Agência O Globo

Será um carnaval também eletrônico, para adeptos de todos os estilos. Haverá pool parties e raves com os DJs do tribal, festa techno e até músicas dos anos 1920 remixadas. Já o funk terá lugar na Marina da Glória, e o rap e o hip-hop, no Clube da Aeronáutica. Enquanto que, no Alto Vidigal, o pagode ditará o ritmo.

No Parque dos Atletas, na Barra, acontecerá o Carnaval das Artes, que em dois dias reunirá artistas dos mais tocados no país atualmente, como Barões da Pisadinha, Luan Santana e Wesley Safadão. Perto dali, o Riocentro será o destino da público do CarnaRildy, em quatro dias de eventos com cantores que arrastam multidões, como Anitta, Thiaguinho, Maiara e Maraísa, Ludmilla e Pedro Sampaio.

CEO da Fábrica, uma das empresas que realizam o evento, Renan Coelho diz que os anúncios recentes da prefeitura não prejudicaram os preparativos do CarnaRildy, que ampliou sua mão de obra contratada para garantir o cumprimento das medidas sanitárias, como a exigência do passaporte da vacina.

— Num evento dessa magnitude, estamos alinhados com todos os órgãos, não só os sanitários — diz ele.

Presidente do Apresenta Rio, entidade que reúne empresas de eventos, Pedro Guimarães diz que ainda não se pode calcular os efeitos, se positivos ou negativos, de um feriado de carnaval em fevereiro e, depois, outro feriadão com desfiles em abril. A expectativa, diz ele, é otimista. Mas ele ressalta que o setor foi afetado, por exemplo, pelos pedidos de devolução de ingressos. Independentemente disso, ele atesta que os organizadores estão preparados para cumprir os protocolos.

— Apostamos que a vacinação é grande passaporte para um mundo novo. E que os eventos podem e devem continuar, dentro de responsabilidades e cuidados necessários — diz ele, que defende a realização das festas. — É injusto dizer que as pessoas são contaminadas nos eventos e não no transporte público ou na praia. Precisamos tirar da berlinda os eventos como os responsáveis por gerar as grandes transmissões — afirma ele, acrescentado a importância dos eventos para o turismo.

Esse setor, aliás, se mantém confiante para o feriado de carnaval, com previsão de ocupação dos quartos perto de 85%, de acordo com Alfredo Lopes, presidente do HotéisRio. Inclusive os hotéis, diz ele, vão realizar suas próprias celebrações. Embora em formatos menores do que no passado, ocorrerão bailes e feijoadas tradicionais.

‘Risco enorme’

Mas há também vozes contrárias à realização de festas e shows nesse período. A pneumologista Margareth Dalcolmo, da Fiocruz, considera incoerente a permissão para os eventos, quando a Sapucaí foi adiada e o carnaval de rua, suspenso, segundo ela, a um alto custo social.

— A meu juízo, não faz sentido permitir eventos fechados que vão, sem dúvida, incorrer num risco enorme de transmissão. Então, minha posição é evidentemente de alerta, tendo em vista, inclusive, que não é plausível acreditarmos que todos os eventos terão controle adequado do passaporte vacinal, de controle de sintomáticos, de uso de máscara… — afirma ela.

À frente da Casa Bloco, Rita Fernandes, que também é presidente da Sebastiana, decidiu adiar para abril a programação de festas que aconteceriam em fevereiro, de acordo com ela, seguindo a ciência.

— A sensação que dá é como se a gente estivesse forçando a barra, na contramão de tudo que está acontecendo. Temos que ir na mesma direção para ver se a gente acaba com essa pandemia de uma vez por todas — diz ela, criticando, no entanto, a pressão sofrida pelo carnaval num momento em que outros eventos ocorrem normalmente. — Agora, precisava ter uma conscientização não só do povo do carnaval, mas de todos os outros grandes eventos, porque o carnaval não pode ser punido. Se não tiver uma ação conjugada, das igrejas, dos frequentadores da praia, de tudo que aglomera, a gente nunca vai sair disso. E o carnaval vai ficar pagando essa conta.

No Rio, até agora não foram editadas novas restrições à realização de eventos diante do avanço da Ômicron, ao contrário de cidades como Belo Horizonte, que esta semana passou a exigir, além do comprovante da vacina, testes negativos de Covid-19 para o público.

Sobre as autorizações para festas, a Secretaria de Ordem Pública (Seop), que concede o alvará transitório, diz que, no período do carnaval, fará as fiscalizações de acordo com as determinações e os regramentos vigentes no momento. Um dos focos, diz o órgão, será coibir os eventos clandestinos, fechados ou na rua.



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Fonte: G1