No ‘BBB22’, Linn da Quebrada explica tatuagem ‘Ela’ e diz: ‘Quero ser tratada nos pronomes femininos’ | Diversidade

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Durante a exibição do “BBB22” ao vivo na noite deste domingo (23), Linn da Quebrada respondeu ao questionamento do apresentador Tadeu Schmidt e explicou a origem de sua tatuagem “Ela” acima da sobrancelha. A cantora ainda afirmou para os confinados que quer ser tratada com pronomes femininos.

Em sua apresentação no jogo, Linn se emocionou e afirmou: “Não sou homem, nem sou mulher, sou travesti.” Ao longo de seus primeiros dias no reality, Linn teve conversas sobre gênero com Eslovênia, Naiara Azevedo e Rodrigo. (leia mais logo abaixo).

Tadeu começou a conversa perguntando aos participantes sobre o estado civil, enfatizando os pronomes “elas” e “eles” no questionamento:

“Primeiro uma pergunta para elas: quem aí está solteira? Agora uma pergunta para eles. Quem aí está solteiro?”.

“Linna, você tem o pronome ‘ela’ tatuado acima da sobrancelha. Queria que você explicasse porque você fez essa tatuagem e também que você dissesse, mais uma vez, reforçando, como as pessoas devem se dirigir a você, devem tratar você”, seguiu Tadeu.

“Eu fiz essa tatuagem, na verdade, por causa da minha mãe. Porque no começo da minha transição, a minha mãe ainda errava e me tratava no pronome masculino. E eu falei: ‘mãe, vou tatuar ‘ela’ aqui na minha testa que é pra ver se a senhora não erra”, iniciou Linn.

“E acho que também assim é uma indicação pra todas as outras pessoas. Então ficou na dúvida? Lê, e daí vocês lembram que eu quero ser tratada nos pronomes femininos.”

Veja o resumo do que aconteceu no BBB22:

  • Linn corrigiu Eslovênia sobre qual gênero preferia ser chamada. A modelo e estudante de marketing repercutiu com outros participantes da casa que estava se sentindo mal após ter chamado a cantora de “ele”. Linn tem o pronome “ela” tatuado na testa.
    “Eu me referi a ela de ele. E foi tão natural. Ela me corrigiu na hora. Ai depois, falei: ‘desculpa’. Ela é muito bem resolvida, falou: ‘acontece'”. A equipe da participante usou as redes sociais para falar sobre o ocorrido (leia no final deste texto).
  • Falando com Naiara, Linn disse: “Eu quero que me vejam como travesti, não quero que me vejam só como mulher…. É importante. Tudo é importante. Faz dez anos que não se apresenta um corpo trans aqui nesse reality. E quando se apresentou, saiu na primeira semana”, afirmou Linn, relembrando da participação de Ariadna no “BBB11”. O comentário foi feito após Naiara dizer que Linn “não chegou aqui como mulher, nem como homem, chegou como gente”.
  • Já na hora de dormir, Rodrigo perdeu o sono depois de usar o termo “traveco” para se referir a travesti. Rodrigo logo foi repreendido pelos colegas e pediu desculpas. No dia seguinte, o participante procurou Linn pedindo para que ela o ajude no aprendizado e a cantora explicou que o primeiro termo é usado de forma pejorativa.
  • Em um dos torpedos secretos enviados pelos próprios participantes, surgiu um que perguntava: “Linn, você está solteiro? Tem alguém perguntando aqui”.
  • Durante a primeira festa da casa, Eslovênia chamou Linn de “amigo”, e a cantora alertou: “Amiga, não dá mais pra ficar errando”.

Linn da Quebrada tem a tatuagem “Ela” na lateral da testa — Foto: Reprodução/Instagram

“Acredito que fica muito claro de que nós temos muito a aprender, muito a percorrer. E que todas as pessoas da sociedade têm um papel fundamental nessa jornada, nessa mudança, para posturas que acolham mais, que respeitem mais, que celebrem mais as diferenças com dignidade e pertencimento”, afirma Guilherme Gobato, especialista em Diversidade, Equidade e Inclusão, e Sócio-Fundador da Diálogos Entre Nós Diversidade e Inclusão em conversa com o g1.

“A exemplo da Eslovênia, talvez ela nunca teria esse aprendizado caso não tivesse ali no ‘BBB’ convivendo com uma travesti, convivendo com a Linn da Quebrada. O que prova que a convivência com as diversidades é muito positiva para alcançarmos uma sociedade melhor, mais madura, mais respeitosa, mais acolhedora.”

Ele explica que, “o artigo e o pronome de gênero para pessoas que se identificam como travestis é sempre a/ela/dela”.

“Enquanto travestis, estamos falando sobre um conceito que é de identidade de gênero, que é a maneira com a qual as pessoas se enxergam e se identificam em termos de gênero.”

“Se o gênero corresponde ao sexo biológico associado ao nascimento, é uma pessoa cisgênera. Agora se a pessoa não se identifica ao sexo atribuído ao nascimento, que é o caso da Linn, que biologicamente nasceu homem e ela passou a se identificar com o gênero feminino, com uma pessoa travesti, estamos falando de uma pessoa transgênera.”

Educação para diversidade

Linn da Quebrada entra no ‘BBB 22’ — Foto: TV Globo/Reprodução

Para o especialista, a educação para diversidade é algo primordial para que situações semelhantes a enfrentadas por Linn no jogo sejam cada vez menos frequentes.

“É algo revolucionário, que pode impulsionar respeito, acolhimento, crescimento, dignidade a todas as pessoas da sociedade.”

E no processo de educação para a diversidade, Gobato enumera passos importantes para o aprendizado diante de situações semelhantes às que aconteceram no jogo:

  • Temos que reconhecer que erramos. Nesse caso específico, quero ressaltar que estamos falando de viés ou preconceitos inconscientes, que são associações automáticas que nosso cérebro faz em frações de segundos com base em tudo o que nós já vimos, ouvimos, lemos, presenciamos na vida.
  • Pedir desculpas. E que sejamos sinceros e respeitosos com as maneiras pelas quais as pessoas se identificam em termos de gênero. Trago uma situação bem prática: Imagina você ser chamado continuamente pelo pronome de gênero pelo qual não se identifica. Isso é mais do que uma microagressão, é um violência a nossa individualidade.
  • Refletir sobre o que nos levou a errarmos. Se foi por falta de conhecimento, nós devemos perguntar a pessoa como ela mesma gostaria de ser chamada. Tanto em relação aos nomes quanto aos pronomes de acordo com o gênero que ela se identifica. Dessa forma, nós exercemos empatia e humildade e a gente acaba por nos colocar na posição de aprendizado.
  • Trabalhar nossa autodisciplina. Prestarmos continuadamente atenção aos nossos próprios vieses, nossos próprios preconceitos inconscientes e procurarmos sempre reduzir ao máximo a sua ocorrência. Isso é uma postura tremendamente inclusiva, respeitosa, só que requer muito trabalho interno e atenção.
  • Educar as pessoas ao nosso redor sobre seus próprios vieses, sobre formas de diversidades humanas e sobre o tratamento que nós devemos conferir a essas pessoas. Nós podemos e devemos educar sobre essas formas de mitigar, reduzir os preconceitos inconscientes, para que possamos todos, todas e todxs colheremos em conjunto uma sociedade com mais respeito às individualidades.

O que dizem equipes de Eslovênia e Rodrigo

“Aqui fora, no mundo real, Eslô é uma pessoa que sempre é ouvidos, ela sempre silencia para aprender. Diversas vezes, em conversas com amigos, ela aprendeu algo e não voltou a repetir.

Sabemos o quão grave é chamar uma pessoa trans/travestis pelo pronome que ela não se identifica. Sabemos o quão isso pode atingir e machucar várias pessoas e não concordamos com isso. Nunca iremos colocar Eslovênia no papel de vítima diante dessa situação, mas cabe a gente também comunicar que no momento que ela percebeu o erro gigante. Ela arrependeu e se desculpou com a Linn e a participante entendeu e aceitou suas desculpas. Esperamos que todos os dias ela evolua para que atitudes como a de hoje não voltem a acontecer.”

“O Rodrigo teve uma fala infeliz e errada nessa madrugada onde ele usa ‘traveco’. Viemos por meio deste comunicado, pedir desculpas pela fala do Rodrigo e relembrar que esse termo é ofensivo e jamais deve ser usado para se referir a qualquer pessoa trans ou travesti. Após ter essa fala, Rodrigo foi repreendido pelos colegas, reconheceu o erro, pediu desculpas e disse que hoje iria conversar com a Linn. Esperamos que ele possa aprender com isso e evoluir como ser um humano.”

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Fonte: Pop & Arte