Sob aplausos e gritos de justiça, ambulante morto por PM é sepultado em cemitério de Niterói

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Confira os destaques do Plantão Policial desta terça (30) | Rápido no Ar

Antes do velório de Hiago Macedo, morto por um PM em frente à estação das barcas, a viúva Thais Conceição de Oliveira Santos passou mal e teve que ser amparada por parentes e amigos.O sentimento entre eles é de revolta pela morte do jovem, que estaria vendendo balas em frente a estação das barcas quando foi alvejado pelo sargento Carlos Arnaud Baldez. O agente foi preso em flagrante por homicídio doloso, por motivo fútil, pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. O corpo de Hiago foi enterrado na tarde desta terça-feira, sob gritos de justiça e aplausos.

— Já que ele estava tentando asssaltar por que não foi rendido, imobilizado e levado à polícia? Ali tem câmeras e tudo esta filmado. Ele iria assaltar onde trabalha há dois anos? Onde está escrito na constituição que não pode ser ambulante? Ele é um cara apaixonado pela filha, uma vida ceifada pelo preconceito, por uma sociedade que estigmatiza pela pele. Essa é a segurança pública que queremos? — questiona Esdras Souza, padrinho da filha de Hiago, que reclama da falta de socorro ao jovem.

Após a chegada do corpo do ambulante, a viúva se aproximou do caixão e desabafou:

— Hiago, levanta, pelo amor de Deus! Você falou que ia voltar e não voltou.

Depois desse momento junto ao corpo do marido, Thais voltou a passar mal, sendo amparada por parentes. Uma ambulância foi chamada ao local.

O vendedor de doces estava acompanhado pelo enteado, um adolescente de 14 anos, que viu toda a cena do crime Segundo a família do jovem, ele está “muito traumatizado”.

Jhonatam Correa, primo de Hiago, questionou o motivo que levou à morte do jovem.

— A bala que meu primo vendia, sustenta a família. Custa uma por R$ 3 e duas por R$ 5. E a vida dele, custa quanto? Será que todos que vão abordar pra levar o sustento vão roubar? Ou será que essa era a desculpa de um ser humano para tirar a vida de um jovem de 21 anos? Por que ele morreu? Por que vende bala ou por que a sociedade não dá direito ao empprego digno? — indagou.

Anderson Oliveira, 19 anos, que também é camelô e amigo de Hiago, trabalhava com a vítima na Praça Arariboia. Ele diz que há violência por parte de guardas municipais de Niterói com os ambulantes. Ele conta que Hiago trabalhava com um “mangueio” — um copo para receber contribuições além da venda das balas e que através do trabalho, o jovem conseguiu comprar sua casa:

— Não sei o que eles veem contra a gente. Eles são chamados pra fazer o trabalho deles mas não dessa forma (violenta). Não temos um emprego de carteira assinada, mas estamos indo à luta. A gente trabalha com um copo e uma caixa de bala. Por cinco centavos eu agradeço muito a Deus. Ele tinha que levar o sustento para a filha dele. Muitas vezes eu durmo na rua, à espera de um prato de comida que seja doado. Mas sempre tenho que ficar com um olho no peixe e outro no gato.

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Fonte: Fonte: Jornal Extra