Lula indica que Dilma não terá participação em um futuro governo

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Em entrevista à rádio CBN Vale do Paraíba, nesta quarta-feira (26), o ex-presidente Lula (PT) disse que a ex-presidente Dilma Rousseff não terá nenhum papel efetivo em um eventual governo, caso ele seja eleito na disputa eleitoral deste ano.

“O tempo passou, tem muita gente nova no pedaço e eu pretendo montar o governo com muita gente nova, muita gente importante e com muita experiência também. A Dilma é uma pessoa pela qual eu tenho o mais profundo respeito e carinho. A Dilma tecnicamente é uma pessoa inatacável, tem uma competência extraordinária. Onde ela na minha opinião erra é na política”, disse Lula.

Lula justificou a decisão afirmando que a ex-presidente, que governou o país entre 2010 e 2016, não tem a habilidade e a paciência que a política exige.

“Ela não tem a paciência que a política exige que a gente tenha para conversar, para ouvir as pessoas, para atender as pessoas mesmo quando você não gosta do que as pessoas estão falando. Eu sou daqueles políticos que se o cara estiver contando uma piada que eu já sei, não vou dizer que já sei essa, não, conta outra vez. Tudo bem, se for necessário rir (…). Nisso eu acho efetivamente que cometemos um equívoco pela pressão em cima da Dilma (em 2016)”, ressaltou Lula.

Ainda na entrevista, o ex-presidente comentou sobre sua possível chapa com o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Ele disse que para formar a aliança será preciso saber o partido ao qual Alckmin se filiará antes. O ex-tucano mantém conversar mais avançadas com o PSB, mas foi convidado, também, pelo PSD de Gilberto Kassab. 

Além de comentar sobre a possível aliança, Lula também fez elogios ao ex-adversário político. 

“Se a gente vai fazer uma chapa comum depende (…) de eu ser candidato e da filiação do companheiro Alckmin a um partido político adequado que faça aliança com o PT. Espero que o PT compreenda a necessidade de fazer aliança”, afirmou.

Lula também falou sobre o papel que Alckimin teria em seu possível governo e o comparou a José de Alencar, que foi vice de Lula durante seus dois mandatos na Presidência.

“Se tem alguém que tem experiência de ser vice é o Alckmin, que foi vice do Mario Covas (ex-governador paulista, morto em 2001). O vice está lá para contribuir, para participar. O Zé Alencar participava de todas as reuniões que eu fazia. Quando eu fazia reunião de governo, o Zé Alencar participava, falava, dava opinião, representava o governo. (…) Sempre terei dificuldade, e o Alckmin sabe disso, de encontrar alguém para substituir um companheiro como o Zé Alencar”, disse Lula.

O ex-presidente afirmou que confia em Geraldo Alckmin e que sempre manteve boa relação com o ex-adversário. Os dois, no entanto, disputaram a eleição presidencial de 2006 em uma campanha na qual Alckmin questionava a responsabilidade de Lula no caso de corrupção do mensalão.

“Quando você escolhe uma pessoa para vice, estabelece uma relação de confiança. Não é uma pessoa distante, é o cara que tem que estar na sala, na cozinha, em todo o lugar com o presidente. Ele faz parte da governança do país. (…) Eu tenho confiança no Alckmin, eu fui presidente por oito anos e tive relações com o Alckmin, sempre foram relações de respeito, institucionais”, afirmou o petista.

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Fonte: O São Gonçalo