Familiares de empresário acusado de tentativa de roubo pedem justiça: “É trabalhador”

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“Hoje eu não consigo mais dormir, nossa família, que antes era só alegria, não consegue se reunir para comemorar aniversários e nem nada. Nosso Ano Novo foi um desespero, passei o dia inteiro chorando, sem meu filho. Ele é um rapaz trabalhador, que foi vítima de uma covardia e há um mês estamos sem conseguir falar com ele. Vamos provar que ele é inocente e trazê-lo de volta para casa, para a família”. Esse é o relato emocionado do aposentado Sérgio Luiz Mendonça dos Santos, de 55 anos, morador do Arsenal. Ele é pai de Luiz Vinícius Martins dos Santos, de 31 anos, que foi preso no dia 28 de dezembro de 2021 após uma acusação de tentativa de roubo. Os familiares de Luiz Vinícius afirmam que ele é inocente e procuraram O SÃO GONÇALO para buscar justiça pelo jovem técnico de eletrotécnica. 

No dia 28 de dezembro de 2021, Luiz iniciava o dia normalmente. Saiu de casa, em Manilha, bairro de Itaboraí, onde mora com a esposa e os dois filhos, para cortar o cabelo no Arsenal, bairro em que foi criado e onde mora sua família. Por volta das 7h da manhã, ele chegou ao barbeiro e cortou o cabelo. Às 9h52, saiu do local e, como mostram imagens de câmeras de segurança da rua em que ele estava, seguiu sozinho com sua moto, do modelo Honda PCX, para um posto de gasolina ainda pelo bairro. Depois, seguiu para a RJ-106, a caminho de Vista Alegre, com o objetivo de encontrar um motorista de caminhão de frete que tinha o costume de carregar os equipamentos de drywall de Luiz, o ajudando em seu trabalho. No cruzamento da RJ-106 com a RJ-104, no entanto, Luiz foi abordado por policiais e, a partir daí, começou a viver um pesadelo, segundo relatos da família. O motorista de uma empresa de carga de cigarros afirmou que Luiz havia feito um gesto com as mãos que indicava que ele queria assaltá-los. 

“O Luiz estava na RJ-106, quando ele entrou na RJ-104, havia quatro motociclistas dessa empresa de carga de cigarros. O Luiz, no entanto, passou por eles com pressa e nem sequer parou nem nada. No entanto, atrás dos motoqueiros da empresa de cigarros vinha uma viatura policial. Esses transportadores de carga, então, pararam os policiais e afirmaram que o Luiz havia feito um gesto que indicava uma tentativa de assalto. O Luiz, sem saber de nada, continuou seu percurso. A polícia, no entanto, foi atrás dele e o abordou. Infelizmente, ele estava sem a placa da moto colada na traseira por falta de parafusos do Detran, mas a placa estava debaixo do banco dele e a moto está no meu nome. O Luiz tinha os documentos do veículo, pois eu passei pra ele já quando compramos. Com isso, ele fosse preso, encaminhado para a delegacia e depois levado para o presídio em Benfica, onde permanece detido”, contou o pai de Luiz, seu Sérgio. Hoje, Luiz está no presídio Ary Franco, em Água Santa, no Rio de Janeiro.

 



O pai de Luiz, Sérgio, conversou com o OSG



O pai de Luiz, Sérgio, conversou com o OSG | Foto: Layla Mussi





 

O pai do acusado afirma que o que fizeram com o filho dele foi uma covardia. “Meu filho era trabalhador, se fosse errado, íamos deixar pagar pelo que cometeu, mas ele nem parou para fazer nada com os carregadores de cigarro. Pelo contrário, ele seguiu reto, para o caminho dele. Meu filho é trabalhador, tinha planos para começar um 2022 cheio de trabalho, com a empresa dele de drywall, que estava crescendo, ele queria contratar mais gente e acontece isso. Ele tinha MEI, endereço fixo, empresa própria e tudo. Pra que uma pessoa com uma moto do modelo da do meu filho tentaria cometer um assalto? É impossível, ele não tentou nada. Além disso, o Luiz estava sem arma e não tinha nada ilícito com ele. Meu filho nunca teve passagem, como que pode hoje ele estar preso? A polícia depois afirmou que havia outro homem com ele, que retornou quando viu os policiais, mas as imagens de câmeras de segurança que vimos mostram ele sozinho. Pegaram o meu filho de ‘bucha’ e ele está pagando por algo que não cometeu. Quantos mais como ele são inocentes e foram presos por acusações infundadas?”, contou o aposentado. 

 



Luiz tinha acabado de montar uma empresa de drywall e estava cursando engenharia civil



Luiz tinha acabado de montar uma empresa de drywall e estava cursando engenharia civil | Foto: Reprodução/Internet





 

No dia 28 de dezembro, após ser preso, Luiz não teve autorização policial para fazer nenhuma ligação para seus familiares. Então, a família começou a estranhar, sem saber do que realmente tinha acontecido com ele. O tempo foi passando e nenhuma notícia. A depiladora Aline dos Santos Ornellas, de 28 anos, esposa de Luiz, foi então até a casa do pai dele para tentar saber alguma informação. 

“Ficamos sem saber nada, totalmente no escuro. No dia 29 bem cedo eu comecei a procurar por ele. Achamos que ele poderia ter sido roubado já que a moto era nova e que tinham feito alguma coisa com ele. Depois, eu descobri que ele estava na delegacia, eu já encontrei o meu filho lá preso. Lembro que fui na 73ª DP (Neves) e encontrei a moto do meu filho detida e os cartões de visita da empresa dele jogados no chão. Meu filho estava lá dentro preso. A partir daí, comecei a virar um detetive procurando provas de que ele jamais faria algo assim”, contou o pai de Luiz. 

Na ficha de Luiz surgiram mais 9 anotações criminais depois que ele foi preso. “Surgiram crimes que ele teria cometido em setembro, outubro, agosto de 2021 e eu sei que ele não cometeu. Colocaram na ficha dele, na verdade, para resolver esses casos, mas meu filho é trabalhador, nunca cometeu nada. Nesses dias que falaram na ficha que ele havia cometido esses nove crimes, ele estava trabalhando e temos como provar. Jamais vou deixar que isso fique assim. Meu filho é um rapaz negro e acredito que parte disso tudo que ele estava vivendo seja por conta da cor de pele dele. O Luiz é um menino família, de bom coração, que nunca fez nada de errado e que tinha sonhos com a empresa dele de drywall e com outras construções. Ele estava indo agora para o segundo período da faculdade de engenharia civil, querendo se formar para ter mais e crescer, mas isso aconteceu, frustrando tudo”, contou o pai de Luiz. 

 



Luiz tem 31 anos e é pai de duas crianças



Luiz tem 31 anos e é pai de duas crianças | Foto: Reprodução/Internet





 

A família de Luiz não consegue ter contato com ele há 30 dias, desde que foi detido por policias. Todas as conversas que Luiz têm no presídio são feitas pelo advogado e repassadas pela família, o que aumenta a aflição de todos já que Luiz é um homem que sempre foi muito presente no contexto familiar.

“O advogado falou que ele no início estava nervoso, querendo saber o que fizeram com a moto dele, explicando que ele não fez nada, mas hoje ele está mais tranquilo. Conseguimos levar lençóis para ele e comida, mesmo não conseguindo entrar para vê-lo. Por procedimento, só podemos entrar para vê-lo quando tivermos a carteirinha do presídio, mas demora dois meses para ficar pronta. Já demos entrada, estamos só aguardando”, contou o pai dele.

Judicialmente, a defesa de Luiz pediu um habeas corpus para ele, o que foi negado. Depois, foi aberto um pedido para que respondesse o crime em liberdade, o que também foi negado pela Justiça por ele ter sido preso em flagrante com o pessoal da empresa de transporte de cigarros informando que ele era o culpado. Atualmente, fizemos um pedido de revogação da prisão dele, que atualmente está nas mãos da juíza, que avalia o caso. 

“Não tem cabimento quatro pessoas de motos falarem que uma pessoa fez gesto para eles com tentativa de assalto. Meu filho não tinha arma nem nada, não tinha como ele estar envolvido nisso. O que fizeram com ele é uma covardia. Hoje, ele está preso, com a empresa dele parada. Muita gente que conhece ele, até clientes, fizeram declarações de próprio punho falando que ele é de boa índole. Todos querendo ajudar para que consiga sair dessa o mais rápido possível”, contou o pai do jovem. 

 



As ferramentas de trabalho de Luiz mostram como ele é comprometido com seu amor por construçoes



As ferramentas de trabalho de Luiz mostram como ele é comprometido com seu amor por construçoes | Foto: Layla Mussi





 

A esposa de Luiz, Aline, diz que sua rotina mudou completamente e que os filhos deles sentem falta do pai. “Temos uma menina de 8 anos e um menino de 3 anos. A menina entende um pouco mais do que está acontecendo com o pai, pois escuta a gente falando, mas o menino é muito pequeno e vive perguntando do Luiz, falando que quer ir para casa. Eu e as crianças tivemos que vir ficar morar aqui no Arsenal com o meu sogro depois da prisão do Luiz. Antes desse dia 28 de dezembro, a gente estava vivendo um sonho, o Luiz tinha a empresa dele, eu o meu trabalho, estávamos começando a pagar o nosso apartamento em Manilha, vivendo com nosso filhos, mas, hoje, minha rotina mudou. Eu preciso dele, além do sentimental, eu preciso dele para ajudar com as crianças, com as contas nessa época de escola, eu trabalho, mas o meu sozinho não dá pra sustentar tudo, e o meu sogro tem ajudado muito nisso”, afirmou a depiladora.

 



Aline conversou com o OSG



Aline conversou com o OSG | Foto: Layla Mussi





 

No próximo domingo (30), a família de Luiz vai mostrar como a injustiça contra ele tem abalado o psicológico de toda a família. Eles farão uma manifestação, a partir das 9h da manhã, com camisetas com o rosto de Luiz, faixas e placas pedindo justiça. O ato ocorrerá na passarela do Arsenal e seguirá até aonde for necessário. Nas placas feitas para o ato vemos dizeres como “o trabalhador precisa ter voz” e “queremos Justiça”. 

Procurado para responder o caso, o TJRJ informou que “não comenta processos em andamento”.

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Fonte: O São Gonçalo