A 1 mês para volta, Unicamp tem 9,1% dos alunos da graduação sem comprovar vacina e planejamento alvo de elogios e críticas; entenda | Campinas e Região

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A um mês para volta de todas as aulas presenciais após hiato de quase dois anos, a Unicamp ainda registra 9,1% dos alunos da graduação sem comprovar a vacina contra a Covid-19 – duas doses ou dose única – índice superior comparado aos de professores e funcionários. A universidade estadual divulgou um planejamento com foco em segurança sanitária que reúne uma série de ações elogiadas pelos estudantes, mas também é alvo de críticas por conta da proposta das “salas gêmeas”, espaços com tecnologias de filmagem e transmissão ao vivo, mas chamada de “EaD presencial”.

Veja abaixo detalhes sobre a vacinação e preparativos para volta às aulas.

A Unicamp previa inicialmente retomar integralmente as atividades presenciais em 3 de março, mas depois a instituição adiou para o dia 14 com objetivo de ampliar as adaptações ao contexto sanitário.

Dados fornecidos pela universidade ao g1 indicam que, até segunda-feira (14), ela contabilizava imunização com duas doses ou dose única para 90,8% dos estudantes da graduação. Neste índice, a Unicamp calculou o índice sobre um grupo total de 17.399 matriculados e, portanto, estão excluídos os alunos aprovados no vestibular 2022, que realizam as matrículas entre esta terça e quinta-feira.

Segundo a universidade, alunos de graduação, pós, extensão e de colégios técnicos que possam receber a vacina, conforme programa de imunização do estado, devem comprovar o chamado “esquema vacinal completo (duas doses ou dose única)” – embora a importância da dose de reforço já tenha sido reiterada por autoridades de saúde – para frequentar salas, laboratórios, restaurantes, bibliotecas, quadras esportivas, ambientes acadêmicos, moradia estudantil e outras áreas dos campi.

Já os estudantes ingressantes, por outro lado, precisam apresentar a comprovação de, no mínimo, uma dose de vacina contra a Covid-19 para realizar matrícula. A regra vale para todos os níveis.

“Caso haja impossibilidade de receber o imunizante por motivo de saúde, caberá ao aluno apresentar atestado médico. Alunos regulares de graduação e pós-graduação deverão apresentar seus comprovantes de forma online junto ao e-DAC (diretoria acadêmica); alunos dos cursos de extensão, junto às secretarias das unidades; alunos dos colégios técnicos, junto às suas secretarias”, diz a nota.

Unicamp prepara volta às aulas presenciais — Foto: Antoninho Perri / Unicamp

No caso dos docentes, a imunização exigida já foi comprovada por 98% de um total de 1.763 profissionais, enquanto no setor de servidores técnico-administrativos ela abrange 92% dos 6.744 trabalhadores da categoria.

De acordo com a Unicamp, os funcionários e docentes precisam comprovar a situação via sistema informatizado da Diretoria Geral de Recursos Humanos (DGRH) – Vida Funcional Online. Em setembro do ano passado, a universidade publicou uma instrução normativa onde prevê até suspensão de pagamento do salário, caso a comprovação da imunização deixe de ser feita e justificada.

Ainda segundo a instituição, os números demonstram “alto grau” de adesão da comunidade interna à vacinação e a expectativa da universidade é de que uma ampla cobertura vacinal também se apresente entre os alunos ingressantes, “levando-se em consideração que a primeira dose será uma exigência para a matrícula”.

Prevenção e investimento milionário

O planejamento divulgado pela Unicamp passa pela garantia de distribuição de álcool em gel e máscaras dos tipos N94 ou PFF2 para todos os integrantes da comunidade acadêmica. Os itens são parte de um investimento na casa de R$ 189 milhões que a universidade separou para melhorias de infraestrutura e garantir o retorno das aulas presenciais. Deste total, R$ 101 milhões são na assistência e permanência estudantil, sendo quase metade destinada para as bolsas acadêmicas e sociais.

A universidade explicou que R$ 25 milhões são direcionados ao processo de retomada, aplicados da seguinte forma: reestruturação dos restaurantes, adaptação de espaços de ensino e convivência, compra dos equipamentos de proteção individual e infraestrutura tecnológica, além de acréscimos contratuais para serviços de higienização de ambientes. Além disso, mais R$ 22,6 milhões são voltados para a modernização, incluindo a manutenção dos softwares corporativos, além dos projetos de digitalização e virtualização da universidade, e renovação do parque computacional.

“Acredito que a atual reitoria esteja se esforçando ao máximo para garantir um retorno seguro e pautado na ciência. […]. Certamente foi feito um investimento significativo para que os estudantes possam respeitar o distanciamento social dentro das salas, em sua maioria pequenas. Mas esse distanciamento vai ser dificultado dentro das repúblicas em que os estudantes costumam morar e dentro do transporte público que os residentes de Campinas precisam utilizar”, avaliou Rafaella Malafaia, estudante de educação física.

A Unicamp, por outro lado, diz que vai promover ações de conscientização dos protocolos sanitários para que os estudantes “possam estar cientes dos procedimentos de segurança a serem adotados.”

“Ela parece estar fazendo tudo ao seu alcance. Cabines isolantes no bandejão, turmas reduzidas, esquemas de salas gêmeas, treinamentos para a comunidade e o que eu acho ótimo, a obrigatoriedade da apresentação do esquema vacinal com a primeira e segunda dose”, elogiou Isabella Brum, do curso de artes visuais e presidente de comunicação da Liga das Atléticas.

Para ela, uma parte dos estudantes ainda tem receio sobre como tudo funcionará na prática, mas valoriza os benefícios do retorno. “Venho de um curso onde as aulas são em sua maioria práticas, dependendo muitas vezes do uso dos ateliês da universidade, onde temos à disposição ferramentas e equipamentos específicos que não podem ser arranjados em casa”, falou.

Computadores separados em laboratório da Unicamp — Foto: Faculdade de Engenharia de Alimentos/Unicamp

Reorganização e ‘salas gêmeas’ criticadas

Coordenadora da gestão no Diretório Central dos Estudantes (DCE), Cecília Ciochetti elogiou a exigência de vacinação, trabalhos realizados pelo Centro de Saúde da Comunidade (Cecom), como a testagem para Covid-19 de pessoas com sintomas respiratórios, e outras medidas como a ampliação do número de bolsas – embora avaliada como insuficiente – e contratações de assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras para suporte aos alunos em meio aos reflexos gerados pela crise.

Por outro lado, a proposta da universidade em usar “salas gêmeas” é criticada por ela e outros estudantes. Em redes sociais, a iniciativa chegou a ser comparada a um ensino a distância (EaD) presencial uma vez que o objetivo da Unicamp, em meio à reorganização de espaços, identificou que 22% dos espaços não conseguem abrigar o total de estudantes previstos nas disciplinas, de forma a manter cuidados sanitários. Para estes casos, a instituição comprou 220 robôs para filmagem e transmissão em tempo real, e prevê uso deles para ter aulas de mesmo conteúdo em duas salas.

O ensino a distância foi necessário no período de isolamento, não tem como negar, mas a qualidade é significativamente pior […] As salas gêmeas, estão colocando situação de pessoas que estão morando com pais, voltaram para as suas cidades, vão ter que fazer processo de voltar para Barão Geraldo [distrito de Campinas], mudar, é um processo cansativo e caro, para assistir às aulas por um telão. É uma solução que não dá conta de resolver de fato […] Precisa pensar outras medidas”, criticou Cecília.

Para Rafaella, um modelo híbrido poderia ser alternativa mais benéfica à medida prevista pela Unicamp. “Os pouco mais de 20% representam uma medida que provavelmente alguns cursos serão densamente afetados. Parte dos alunos em sala e outra parte acompanhando remotamente de suas casas, em vez de salas gêmeas, talvez fosse mais satisfatório”, ponderou.

Já Isabella avaliou que há um receio de que soluções temporárias sejam permanentes, e que o modelo híbrido também não é uma unanimidade. “Tem gente que vê o s EduCarts como um modo de realizar um EaD presencial, expondo estudantes a um risco desnecessário. Mas, também existem alunos que acreditam na importância da reocupação desses espaços da universidade como algo crucial para evitar hibridização do ensino com o intuito de cortar despesas”, destacou.

Marcações para distanciamento social na Unicamp — Foto: Antoninho Perri/Unicamp

Unicamp prevê rotatividade

Ao ser questionada sobre as críticas, a universidade informou que tem todas as condições para o retorno das atividades presenciais, e defendeu que o uso de “salas gêmeas” não é única estratégia, mas dentro dele será aplicado sistema de rotatividade entre os estudantes para uso das estruturas. Além disso, a assessoria da Unicamp alegou que o recurso deve valer para até 25% das disciplinas.

“O retorno presencial é fundamental para que o processo formativo completo de nossos discentes seja realizado. Implica na vivência acadêmica no campus em todas as suas possibilidades: a realização de atividades de pesquisa e de extensão; a participação em eventos acadêmicos, o uso de laboratórios e outros espaços de experimentação e prática. Assim, o retorno seguro […] garante benefícios pedagógicos e formativos que extrapolam em muito aquilo que foi possível fazer no ensino remoto, aplicado durante o período de suspensão das atividades presenciais”, informa nota.

Em outubro de 2021, a Unicamp divulgou regras para a retomada presencial, ainda naquele ano, de atividades práticas. Os cursos voltados para a área da saúde já haviam liberado a volta na pandemia.

Estudantes no campus da Unicamp, antes da pandemia da Covid-19 — Foto: Antonio Scarpinetti / Unicamp

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Fonte: Fonte: G1