Nissan Kicks Sense manual: sensatez e diversão andam juntas

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Depois dos sedãs médios, os SUVs compactos foram os modelos que definitivamente desistiram de ter versões com câmbio manual. Cada vez mais raros, os SUVs manuais apenas Nissan Kicks, Renault Duster e Fiat Pulse como possibilidades. Mas será que está na hora de desistir do pedal da embreagem nessa categoria?

Colocando o Nissan Kicks Sense manual para a prova, ficou evidente um aspecto: custo-benefício e diversão ao volante podem andar juntos. Isso, é claro, se estiver capaz de abrir mão de algumas regalias. Ainda que, por R$ 103.190, o Kicks seja o SUV manual mais caro do Brasil.

Versão de entrada?

Ainda que o Kicks Sense não seja o modelo mais barato da gama, pois há uma versão PCD, ele é o modelo de entrada para o público comum. E não pense, porém, que isso faz dele um carro pouco equipado. A lista de itens de série é extensa e traz luz diurna de LED, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay, além de ar-condicionado analógico.

Nissan Kicks Sense Manual [Auto+ / João Brigato]
Nissan Kicks Sense Manual [Auto+ / João Brigato]

Amplia o portfólio de itens de série com assistente de partida em rampa, câmera de ré, sensor de ré, controle de tração e de estabilidade, seis airbags, direção elétrica com ajuste de altura e profundidade, vidros elétricos nas quatro portas, retrovisores elétricos e faróis com acendimento automático. Do essencial, não falta absolutamente nada.

É um pacote bem generoso tal qual o Versa Sense manual, porém com a vantagem de oferecer central multimídia e auxílios para manobra de ré, que o sedã não traz. O modelo três volumes, no entanto, tem chave presencial que o Kicks só oferece em versões mais caras. Por R$ 111.290, o Sense CVT tem a mais só roda de liga-leve, câmbio automático e piloto automático.

Nissan Kicks Sense Manual [Auto+ / João Brigato]
Nissan Kicks Sense Manual [Auto+ / João Brigato]

Atrativos cortados

Se na lista de equipamentos o Nissan Kicks Sense não parece basicão, no visual da cabine ele começa a entregar um pouco dos pontos. O acabamento segue ok, com destaque para o ótimo tecido dos bancos e das portas. Isso sem contar o evidente conforto dos assentos, que, mesmo sem a tecnologia Zero Gravity, ainda são melhores que a média da categoria.

Contudo, sem os acabamentos em preto brilhante ou a tela melhor da versão Exclusive, o Kicks Sense entrega a simplicidade interna. A faixa central do painel é em plástico texturizado preto, mas bem que merecia um tecido por ali. A aparência é boa, mas a qualidade fica aquém do esperado.

Nissan Kicks Sense Manual [Auto+ / João Brigato]
Nissan Kicks Sense Manual [Auto+ / João Brigato]

A central multimídia segue nessa mesma toada. A tela é ruim, com pouco contraste de cores e brilho muito estourado. Ao menos a velocidade do sistema é boa e há conexão fácil com Android Auto, Apple CarPlay e até para o pareamento por Bluetooth. Comandos físicos nas laterais facilitam o uso.

Em espaço interno, o Kicks segue como um dos melhores da categoria. A cabine é bem aproveitada, com área suficiente para quem se senta atrás, especialmente para cabeça e ombros. Na família Nissan, só o Versa é capaz de competir em espaço com o SUV compacto. Já o porta-malas de 432 litros é ótimo, mas tem acabamento simplório.

Melhor e pior

Como grande atrativo do Nissan Kicks Sense, o câmbio manual completa o conjunto de maneira exemplar. Mas ao mesmo tempo é o que o SUV teria de melhorar em mais evidência. O câmbio tem engates curtos, precisos e aveludados. Uma das melhores transmissões manuais oferecidas a modelos com zero pretensões esportivas.

Ajuda nessa experiência o fato de que a manopla tem um aspecto bonito, com plástico brilhante na parte do visor das marchas, contemplado por uma borda cromada. O tamanho da manopla é bom, sem ser excessivamente longo como no Versa. Embreagem de curso longo é precisa e tem peso perfeito para uma tocada mais animada e para não cansar no trânsito.

[Auto+ / João Brigato]

Só que aí vem o porém. A relação de marchas usada pela Nissan parece ter sido a mesma que era aplicada em March e Versa quando eles tinham motor 1.0 aspirado. A primeira é excessivamente curta, fazendo com que a troca seja muito rápida. Mas o problema maior está na quinta, também desnecessariamente curta.

A 100 km/h o Kicks grita a 3.000 rpm. Na estrada, faz com que o consumo fique ruim e o barulho do motor comece a incomodar internamente. Ele clama por uma sexta marcha a todo tempo. Ou pelo menos relação alongada para aproveitar bem o torque em baixa que o motor 1.6 oferece.

[Auto+ / João Brigato]
[Auto+ / João Brigato]

Leveza sem turbo

Uma das grandes críticas dos pilotos de teclado é o fato de que o Nissan Kicks não tem motor turbo. Ele é servido por um 1.6 quatro cilindros aspirado de 114 cv e 15,5 kgfm de torque. Não parece muito, mas é suficiente para ele. Considere ainda o fato de que ele pesa só 1.104 kg, ou seja, o peso de um hatch compacto, que entenderá a dinâmica do SUV.

O Kicks não nega fogo, sendo ágil nas saídas de sinal a ponto de continuar cantando pneu até em segunda marcha. Ele é suficientemente forte para não passar vergonha carregado e acelerar no mesmo ritmo dos SUVs rivais com motor 1.0 turbo. Apesar de ter torque em baixa, ele acorda mesmo acima dos 3.500 giros (o pico de torque é a 4.000 rpm).

Nissan Kicks Sense Manual [Auto+ / João Brigato]
Nissan Kicks Sense Manual [Auto+ / João Brigato]

Por conta das marchas curtas, o consumo do Kicks é apenas ok. Durante nossos testes ele cravou média de exatos 10 km/l com etanol em trecho 50% estrada e 50% cidade. A questão é que o tanque é pequeno: são apenas 41 litros, o que faz com que a autonomia total do SUV compacto não chegue a 400 km.

O baixo peso do Kicks também tem um benefício na dinâmica. Ele tem direção elétrica com peso bem calibrado, o que permite uma condução mais atrevida nas curvas. Quase como um hatch compacto, ele consegue contornar bem as curvas sem ser desengonçado como muitos SUVs compactos da categoria. Ainda assim, um pouco abaixo de VW Nivus e Fiat Pulse.

Nissan Kicks Sense Manual [Auto+ / João Brigato]
Nissan Kicks Sense Manual [Auto+ / João Brigato]

Em suma, na dirigibilidade o Nissan Kicks pende para a neutralidade. Ele é confortável, mas se comporta bem em uma tocada mais pesada. Tem potência suficiente para a sua proposta, mas não vai dar trabalho para um carro de maior porte. Volante, pedais e marcha têm pesos coerentes para agradar a todo tipo de público.

Veredicto

Pagar mais de R$ 100 mil em um carro de entrada manual e com calotas pode parecer uma grande heresia. Mas o Nissan Kicks Sense é uma compra racional sim. É o mais divertido de dirigir da família por conta do câmbio. Além disso, tem boa lista de itens de série que não o farão sentir falta de nada.

Nissan Kicks Sense Manual [Auto+ / João Brigato]
Nissan Kicks Sense Manual [Auto+ / João Brigato]

Espécie rara no mercado, os SUVs compactos manuais tendem a desaparecer futuramente. Mas, enquanto isso não acontece, cogite economizar quase R$ 10 mil na compra de um Kicks Sense CVT e leve para casa a versão manual. Esse sim verdadeiramente pode ser chamado de um SUV compacto divertido.

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Fonte: Revista Carro